contra-senso

Shaná tová u’metuká – Um ano bom e doce

Publicado em Judaísmo por André Tavares em 12/09/2007

Hoje é 29 de Elul, o sexto mês do calendário hebreu, e marca a véspera de Rosh Hashaná, o ano novo judaico – 1ᵒ de Tishri. Pode parecer estranho que o ano novo seja comemorado entre o sexto e sétimo mês do calendário – é que Rosh Hashaná é o ano novo litúrgico, quando o ciclo de leitura das 54 porções da Torá é concluído. Em termos bíblicos, a data tem outro nome, Yom Teruá (Levítico 23:24), ou “O dia de tocar a shofar”, ou festa das trombetas.

Yom Teruá, ou Rosh Hashaná, marca, também, o início dos dias de arrependimento, ou os “dez dias terríveis” – Yomim Noraim – que culminam com o Yom Kipur, o Dia da Expiação (ou do perdão). Diz a tradição judaica que em Rosh Hashaná, D’us se assenta num trono e os livros contendo os feitos de todas as pessoas são repassados e julgados – daí um outro nome para a festa: Yom haDin, ou Dia do Julgamento. Também foi dessa tradição que temos a idéia do Livro da Vida, tão presente no Novo Testamento.

O ano novo é marcado pela noção de justiça e prestação de contas, de rememoração do povo sobre seus atos, conduta, e reflexão sobre a justiça e retidão de seus caminhos. D’us continua assentando em Seu Trono, e julga Soberano sobre todas as coisas – e nada haverá de lhe escapar, seja ao juízo, seja ao perdão.

Os dias terríveis não são meramente para uma reflexão pessoal, para uma moral individual (apesar de isso ser importante e estar presente na festa). São dias de responsabilidade coletiva, é o povo pedindo perdão pelo povo; é onde cada um é responsável pelos atos de todos, porque toda a Terra sofre com a injustiça e com o pecado. É profundamente corporativo e comunitário: o indivíduo pede perdão e acerta seus erros todos os dias com Seu D’us e com o próximo, mas nesses dias, somos todos e cada um diante de D’us.

Rosh Hashaná também é um dia de pedir a D’us que faça juízo, que guarde o fraco, o oprimido, o pobre e o injustiçado – que livre Israel de seus inimigos. Justiça, para a Torá, para o judaísmo, é também misericórdia, é verdade e socorro.

Temos muito a refletir, muito a considerar. Muito da misericórdia de D’us é preciso, e de sua justiça, portanto, também. Oremos e peçamos ao Eterno, que renove nossos dias, e que tenhamos, em 5768, um ano bom e doce – com atos próprios para aqueles que estão inscritos no Livro da Vida pelo sangue do Messias.

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2 Respostas

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  1. Daniel Travessoni said, on 12/09/2007 at 17:24

    Meu querido! Finalmente logrei sucesso em encontrar teu novo blog, sehr gut! Tentarei fazer uma visita a cada três semanas (acabei de escrever a mesma mensagem a respeito de visitas eletrônicas no blog de Guilherme). Não agora, mas hoje ainda tentarei ler teus preciosos textos.
    Um grande abraço,
    Daniel.

  2. andretavares said, on 12/09/2007 at 18:13

    Caro Daniel! Muito bom receber sua visita nessa mixórdia… hehehe. Você é sempre bem vindo, e espero contar com sua opinião. Abraço,

    André.


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