Ano que vem, mais uma vez, os olhos do mundo todo se voltarão para a China, para as Olimpíadas de Pequim, ou Beijin. As Olimpíadas modernas, como todos sabem, tal como idealizadas por Pierre Fredy, Barão de Coubertin, têm por princípio a união e confraternização entre os povos, o “fair play“, e essa coisa toda. Mas, para honrar mais uma vez o título desse blog, a realização de uma olimpíada na China é, em todos os sentidos, um contra-senso.
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A China é o país mais populoso do mundo, e detém outros recordes. É o país que, de longe, mais desrespeita e nega direitos básicos aos seus cidadãos - da liberdade de expressão à liberdade econômica, passado pela liberdade religiosa e de consciência. Se você, leitor, achou as fotos de Abu Ghraib um absurdo, nem queira saber o que se passa pelas prisões chinesas. E enquanto no Iraq há um estado de guerra e conflito armado com soldados, exércitos, guerrilheiros, terroristas, etc., na China há um Estado que esmaga seus próprios cidadãos por quererem votar, publicar livros, acessar internet, rezar, ter mais de um filho, etc…
Aliás, você que lê esse blog, saiba que a China exerce um dos mais apertados cercos e censura sobre a internet no mundo (juntamente com o Iran, acho). Não há dados oficiais, obviamente, mas organizações de defesa da liberdade de imprensa afirmam que o país onde mais se tortura e mata jornalistas é a China. Saia da linha, e tome pancada.
Os católicos chineses não podem ser católicos… é, o dogma central do catolicismo, que é a representatividade de D’us na Terra pela figura do Papa, é proibido, e a Igreja Católica na China é submetida ao Estado Chinês - do contrário, estaria submissa a um país estrangeiro… afinal o Papa é estrangeiro, e chefe do Vaticano… As igrejas protestantes na China são menos evidentes em termos oficiais; crescem como redes, com reuniões e núcleos domésticos clandestinos, se reúnem também em salões subterrâneos, lugares ermos - catacumbas. O número de religiosos perseguidos e mortos também assusta. Caso você leia jornal no Brasil, sempre que ler uma notinha como “grupo de rebeldes é preso no interior da China” ou coisa parecida, dê um pulinho no site A voz dos mártires e saiba uma outra versão (no mínimo) do ocorrido.
E não se iluda: não são meia dúzia de cristãos na China. Por baixo, calcula-se que haja 90 milhões de cristãos, o que faz do país a nação com o maior número de cristãos no mundo - mais até que os EUA. Só isso.
Mas para aqueles que acham que com cristãos tudo pode ser feito, vejam a ocupação chinesa no Tibet. São 50 anos de invasão que já custou a vida de mais de um milhão de tibetados, e o exílio do Dalai Lama como resultado da pressão insuportável sobre a religião budista. Os chineses mulçumanos, zoroastristas, minorias não chinesas, animistas, etc., também sofrem o diabo na mão do Estado que não quer outra coisa senão o lugar exclusivo de divindade única.
A China tem o infanticídio e o aborto como política de controle de natalidade e crescimento populacional. Eu mesmo conheci um casal que trabalha em Hong Kong recolhendo bebês (meninas) das latas de lixo e sarjetas da cidade. E sempre há bebês descartados. Sempre. E o cinismo ocidental diz que “a China precisa parar sua bomba populacional, não importa como”. Não há sequer projeções da extensão da violência contra a mulher chinesa…
A China e o país com o maior número de execuções de pena capital no mundo - a maioria dos executados cometeram crimes políticos (leia-se contra o regime). Em 2005, foram pelo menos 1.700 execuções (algumas fontes acusam 8.000 execuções), enquanto nos EUA, país democrático com o maior número de execuções, elas não chegaram a 70. De cada 10 aplicações de pena capital, 9 acontecem na China - pelo menos.
No segundo semestre de 2007, a China tornou-se o maior emissor de carbono do mundo, superando os EUA.
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Bom, a essa altura os garotos revoltados, esquerdistas, libertários e toda sorte de bandido e corruptores do bom raciocínio devem estar bastante raivosos. Mas vou insistir um pouco mais. Realizar uma Olimpíada na China é um erro. Apoiá-la é um crime. Crime de cumplicidade a toda injustiça e violência cometida pelo Estado Chinês contra a humanidade. Todo atleta, delegação, país que participar futuramente se envergonhará profundamente, e restará aquele pedido de desculpas aterradoramente inútil ante a atrocidade perpetrada.
Delírio? Pode ser. Mas o Mundo (minimamente) livre cometeu um erro desse mesmo tipo ao realizar e participar das Olimpíadas de Munique, na Alemanha de Hitler, em 1936. A Olimpíada que deveria celebrar a “paz” com a Alemanha Nazista, e a hegemonia suprema da raça ariana. Pouco tempo depois, a Polônia era invadida, e os fornos queimavam judeus, cristãos, ciganos, etc…
Tudo bem, a história nunca se repete. Quando retoma um padrão, não repete - porque o erro repetido é sempre ainda mais horrendo, maligno e abissal. Que será do ano de 2011?