contra-senso

O ataque ao Iran e o cenário no Oriente Médio

Publicado em POLÍTICA por André Tavares em 15/04/2008

Ao que tudo indica, os EUA estão preparando um ataque ao Iran. O que ainda não parece estar decidido, ou claro, é quando (antes ou depois das eleições para presidente?), e em que escala (somente às conhecidas instalações nucleares, ou também às instalações militares?). Jim Meyers (Newsmax) aponta a visita de Dick Cheney a vários países do Oriente Médio (aliados: Israel, Arábia Saudita, Turquia e Oman) como preparativos diplomáticos e estratégicos e, ainda segundo a Newsmax, os sauditas já tomam providencia para o impacto radioativo resultante do ataque às instalações nucleares iranianas.

Há outros problemas a serem resolvidos: altas patentes militares americanas discordam quanto ao problema iraniano; o Marechal Fallon pediu afastamento do comando americano no Oriente Médio por discordar da política da administração Bush, e “para não estar lá quando a ordem de ataque à República Islâmica for dada”. Por outro lado, a situação no Iraque não pode avançar sem que se detenha o apoio e financiamento iraniano às milícias xiitas – certamente que isso pode ser feito por outros meios, mas uma atitude se faz necessária.

Outras questões estratégicas dizem respeito ao alvo primário da retaliação iraniana, Israel; e o apoio que o Iran receberia de aliados e parceiros. De fato, ainda que Israel não participe diretamente dos ataques (e, na verdade, poderia lançar sozinho uma operação cirúrgica, como fez no Iraque nos anos 80) sofrerá ataques imediatos tanto do Iran, quanto provavelmente da Síria. O mais provável é que os ataques sejam feitos com armas biológicas e/ou químicas (que a Síria com certeza possui), e o exército israelense realizou recentemente o maior exercício militar de sua história prevendo este cenário. O Hizbollah, que é financiado, equipado e treinado pelo Iran, já anunciou que está pronto para atacar Israel simultaneamente por terra e com os mísseis de curto/médio alcance russos/iranianos.

Um ataque à Republica Islâmica também é complexo quanto às movimentações que pode provocar no cenário asiático. China e Rússia têm acordos comerciais e tecnológicos com os iranianos, que na verdade camuflam cooperação militar – obviamente que a última coisa que os chineses querem fazer é deixar claras suas intenções pela formação de pactos militares. O conselho de segurança da ONU, portanto não será a agência legitimadora do ataque, resta saber onde os americanos encontrarão suporte internacional – possivelmente a França de Sarkozy ou mesmo os ingleses (OTAN?)

O Iran soma, agora, 9.000 centrífugas para enriquecimento de urânio, e a alegada intenção pacífica não tem sustentação tecnicamente (centrífugas podem produzir combustível para mover reatores ou para armamento nuclear), e muito menos nos discursos de Ahmadinejad. E se os americanos querem retirar suas tropas do Iraque precisam garantir estabilidade na região, ou diminuir as forças das lideranças locais anti-americanas que poderiam ocupar o vácuo. A generalização de um conflito no Oriente Médio pode ser evitado, mas é possível; e a maneira como o caso iraniano for resolvido será crucial para o desenvolvimento do cenário.

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