60 anos

9 Maio, 2008

Neste mês de maio o moderno Estado de Israel comemora sessenta anos de existência. São sessenta anos bastante judaicos - muitas tristezas e muitas alegrias; muito progresso e riquezes, mas também incertezas e carestia; ameaças, mas também permanência. No final, sempre, permanência. Com um Estado judeu não seria diferente; tudo o que temos feito ao longo de três mil e quinhentos anos (ou mais) é perdurar, permanecer - ser. E celebrar a alegria e reviver os dramas de ser judeu.

Quem sabe seja exatamente isso que desespere nosso inimigos e intensifique seu ódio: apesar de seus esforços (Faraó, Amaleque, Senaquerib, Nabucodonozor, Antíoco, Tibério, Verpasiano e Tito, Adriano, Isabel e Fernando, Dom Manuel, Lutero, Tzares tantos, Hitler, Stalin, Kadafi, Nasser, Arafat, Ahmadinejad…), somos judeus, e sempre somos. Humilhação, cerceamento, pesados impostos, deportação, seqüestro, conversão forçada, morte… meu D’us, quantas formas para tentar nos fazer negar o que nos fizeste ser…

E dois mil anos depois de sermos expulsos do lugar que insistem em chamar de Palestina histórica, nome que os malvados romanos deram à Terra de Israel depois da expulsão (pensando que assim nos esqueceríamos dela), sem partir de uma metrópole como os europeus fizeram, foi reconstituída uma pátria nacional judaica - no lugar que ouviu outra vez crianças, jovens e velhos falando a língua hebraica, a língua da Torá, que por tantos e tão escuros anos foi nossa pátria e a arca que nos resguardou até esse momento.

E então vieram muitos, de muitos lugares, de muitas cores, de muitas línguas: ashkenazim, sefaradim, mizrahim, falashas, temanim, bene Israel, bnei menashe, cuchin, judeus de kaifeng; falantes de yídish, ladino, berber, etc… morenos, loiros, ruivos, hindus, chineses, negros, árabes… Israel é um cadinho de gentes que se reúnem e se unem sob a Estrela de David que tremeluz altiva.

Nos alegramos, chorando ao mesmo tempo. Chorando por Sderot, por Gilad Shalit. Mas alegres, porque hoje qualquer judeu no mundo tem um lugar onde buscar socorro. Am Israel chai! Vive o povo de Israel!

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2 Respostas para “60 anos”

  1. gabriel Diz:

    Mesmo com todo o respeito e admiração que tenho pelo povo e pela cultura judaica, ainda assim não consigo esconder a repulsa que sinto pelo grupo judaico-sionista. É estranho como estes não percebem que o mesmo mote que os move, é também o de atuais seus agressores: a legitimação divina.

    Movidos por uma premissa tão distante da racionalidade necessária para o entendimento entre culturas, é difícil distinguir qualquer um dos lados como agressor ou agredido. E o que dizer de definir aquele que seria o “verdadeiro grupo escolhido dos céus”, como se coubesse tamanho despautério na diplomacia contemporânea. Mas pelo visto, não sendo estruturada no racionalmente plausível, a tal disputa só resta o caminho da guerra. E enquanto houver grupos que baseiam demarcações territoriais - ou quaisquer intentos que caibam apenas no campo da legalidade terrena - em determinações divinas, haverá conflitos e mortes em consequência.

    Vale ressaltar, que aqueles que servem de guias e propagadores dos embustes sionistas (aí incluso o autor deste post) têm tanta culpa por cada cadáver no solo de Israel quanto os terroristas, que não passam de mais uma instância nesta cadeia.

    Com premissas tão próximas me pergunto: como um sionista se distingue de um homem-bomba, tendo em vista a legitimidade de suas motivações?

  2. André Tavares Diz:

    Caro gabriel,

    apesar de todo seu respeito pela cultura judaica, você parece não tê-la estudado bem, nem a história moderna de Israel. Dizer que o Sionismo é uma doutrina religiosa é um disparate… Olha, você pode ser sensível à situação dos palestinos (eu tb sou), ou até enxergar bravura em homens-bomba (eu disse “até”), mas daí dizer que não há distinção entre uma ação militar israelense e uma ação terrorista é sofrer de muita miopia.

    Eu usei sua resposta em outro post, porque ela foi muito séria (eu respeito isso) e dirigida não só a mim, mas a todos os que “se servem de guias e propagadores de embustes sionista”.

    Volto a ressaltar que sua perspectiva pode ser anti-sionista, mas seus argumentos insuficientes. Abraço.

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