CONTRA-SENSO

INCOLORES IDEIAS VERDES SONHAM FURIOSAMENTE

Notas de um usuário final [o EeePc como experiência de consumo racional]

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Há duas coisas que me fariam gastar dinheiro, se eu tivesse: computadores e livros. O pouco recurso que tenho, então, fica destinado aos livros, e mesmo assim poucos. Mas gosto de computadores, de ver gabinetes e soluções elegantes de hardware, máquinas lotadas com processadores poderosos, muita memória e placas de vídeo capazes de milagres gráficos. Tenho alguma satisfação ao ver um game voraz rodar sem o PC pedir água.

Por algum tempo, pensei na máquina ideal nesses termos. Mas de um tempo para cá minha experiência com os computadores exigiu mudanças nesse conceito, inclusive por conta dos livros – eles passaram a tomar muito mais do meu tempo, além dos recursos. A máquina perfeita tomou outros contornos: o que ela precisa é ser bastante. É, porque bastante certamente significa bastar, ser suficiente, mesmo outro sentido tendo sido agregado à palavra.

E no meu caso, basta muito pouco para que uma máquina baste… o suficiente para rodar um bom editor de textos (OpenOffice), um bom leitor de documentos (Evince), navegador para a Web (Firefox), eventualente um gerenciador de contas de e-mail (Thunderbird ou Evolution, mas o Gmail também da conta do recado, no que preciso) e um editor de imagens (graças ao Antônio LedStyle Cláudio, uso o GIMP com alguma proficiência).

De repente, as necessidades são de um outro tipo, que fez com que minha máquina dos sonhos deixasse de ser os laptops e desktops lotados da Dell (cheguei a passar hora vendo as coisas por lá). Mas a constatação veio de uma experiência muito concreta com o Eee Pc.

Quem lê esse blog sabe que eu tenho um, comprado recentemente. Instalei o Ubuntu Hardy no pequeno, e tudo vai andando muito bem. Tão bem que posso dizer que em termos cotidianos eu posso sobreviver muito bem com 4Gb de disco e um pendrive de 8Gb. Além disso, o Eee me fez conhecer uma série de aplicativos e ambientes leves, como o LXDE, por exemplo (muito grato ao Og Maciel pela dica), ou a perceber do que minha experiência cotidiana com computadores é feita.

Sou absolutamente consciente que o Eee não responde às demandas de muitas pessoas, principalmente profissionais; mas por outro lado, supriria muito bem muitos usuários finais que por falta de orientação e conhecimento ficam sob a pressão de adquirir uma super máquina, que ficará, provavelmente, com grande parte da potência e recursos inutilizados.

Mesmo quem alegue que os novos recursos gráficos dos ambientes requerem aceleração gráfica e etc., está vencido pela simples verificação do Compiz rodando satisfatoriamente num Eee… tenho todos os recursos sugeridos pelo Hamacker para o Compiz em seu guia para o Ubuntu Perfeito. Veja bem, isso não é apenas uma curiosidade, é um feito que exige uma mudança de paradigma: menos pode ser mais e melhor.

Essa pode ser uma chave para a mudança no paradigma Microsoft® para a computação pessoal, pode ser um guia para qual direção tomar na busca de alternativas ao Windows® like. Há maneiras mais inteligentes, mais humanas e racionais de fazer as coisas, e aqui não é diferente.

A Asus acertou – o Eee realmente pode ser uma revolução, mais que somente uma influência ou tendência; pode dar uma noção de eficiência e uso inteligente dos recursos… isso é racionalizar os processos, gerindo-os com sabedoria.

Minha máquina ideal, agora, pode custar menos de R$900,00. E isso pode ser a porta de acesso os recursos dessa ferramente crucial de nosso tempo para muita gente excluída; e acabar com a sensação (que eu já experimentei) de insatisfação absurda por não 2Gb de ram ou uma placa de 512Mb.

Escrito por André Tavares

26/06/2008 às 03:14

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