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Nanomanos - mas não ainda

6 Março, 2008

Os pesquisadores que trabalham com “futorologia” ou tendências da tecnologia e seus impactos na vida das pessoas sempre falam que nós superestimamos os avanços nos próximos 10 anos, e subestimamos o que pode aparecem nos próximos 20. Se não me engano, essa “fórmula” foi proferida por um “futurólogo” do MIT, um brasileiro que seria um dos vaticinadores do laptop/notebook lá nos idos de 70.

Isso, de fato, parece ser verdade. Mas às vezes, somos surpreendidos pela presença imediata de futuro em coisas absolutamente inusitadas. E inusitadas em vários sentidos - comigo ao menos. Pelo Kibe Loco, fico sabendo que uma empresa criou um celular tatuado na pele. É isso aí - a tatuagem é feita com tinta eletrônica que faz da pele um display - o aparelho mesmo é um disco de silício e silicone com funções Bluetooth implantado entre a pele e o músculo e é alimentado pelo próprio sangue - inacreditável! Um tubo é ligado a uma artéria, e uma célula transforma oxigênio e glicose em energia, e um segundo tubo devolve o sangue para uma veia.

OK: genial, engenhoso, futurístico. Mas qual é a questão? A questão é que um aparelho funciona se valendo da pele como parte de si, e é movido por sangue - exatamente como um órgão biológico e “natural”. Na verdade, nós somos ciborgues a muito tempo: uma vez que implantamos elementos distintos e estranhos à conformação do corpo, temos um tipo de fusão entre natureza e técnica - uma obturação, um pino nos ossos ou mesmo as roupas e calçados. Bruno Latour é um de meus teóricos preferidos por não medir palavras pra dizer que a distinção natural e artificial não se aplica a nós.

Mas aquelas “intervenções” têm de ser qualificadas, e eu as chamaria de pré-eletrônicas. Mas isso ainda não é o bastante. Marca-passos são implantes eletrônicos, mas são muito diferentes do que estamos vendo no caso do celular tatuado. Então teríamos a fase pré-eletrônica, a fase eletrônica e a fase nano (é, de nanotecnologia). Nessa fase temos elementos eletrônicos em escala mínima agindo e cumprindo funções de maneiras que só tínhamos conhecimento no reino microscópico das células, bactérias e (quem sabe) macro moléculas.

Dentro de pouco tempo, já não estaremos falando de “tinta eletrônica” e um chip do tamanho de uma moeda implantado por uma incisão e alimentado por finos tubos. Falaremos de nanopigmentos compostos de agentes que se comportem como células e executando tarefas que consideramos hoje como artificiais, como fazer uma ligação telefônica, enviar e-mail, ou fazer diagnósticos e monitorar funções corporais (como infeções ou alterações no organismo).

E isso não está muito distante: gente como o professor Kevin Warwick são a avant-gard da simbiose homem-máquina, mas de maneira muito distante daquelas aberrações metálicas que vemos no cinema e num certo tipo de ficção. Um certo tipo porque gente como Asimov já entendia que num certo nível de desenvolvimento, a técnica se confunde, em termos de efeito, com magia. Sua ação é sutil e discreta - mais parecido com o T-1000 do que com o T-800.