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Para inglês ver: o diálogo inter-religioso do Rei Abdullah

27 Março, 2008

Desde o surgimento do fenômeno do nacionalismo árabe, sobretudo depois da Segunda Gerra Mundial, o maior prejudicado tem sido o povo árabe e os muçulmanos. No Egito, Nasser empurrou a nação para uma série de conflitos catastróficos como a Crise de Suez (1956) e a Guerra dos Seis Dias (1967), preparando o caminho para a Guerra de Yom Kippur (1973) - e todo o investimento egípcio para se tornar uma moderna potência militar local (apoiada pela União Soviética, fornecedora de armamentos, equipamento e treinamento) foi inutilizado no esforço inútil de tentar varrer Israel do mapa. Por que a insistência? Porque quem derrotasse o “Estado Sionista” daria cabo no que é considerado um insulto ao mundo árabe, e demonstraria a insurgência e desafio à influência das antigas potências inglesa e francesa na região.

Nesse plano foram arrastadas a Jordânia, que havia cedido seu bem treinado exército ao comando egípcio, que foi dizimado na tentativa de romper Israel ao meio na altura de Jerusalém; e a Síria. O rei Houssein da Jordânia compreendeu cedo (’67) que lutar contra Israel era um equívoco, fez um tratado de paz com os israelenses, e tratou de se preocupar com os refugiados palestinos em seu território, que a partir daí passaram a lhe dar muito trabalho. Humilhado em três guerras, que lhe custou qualquer crédito no mundo árabe, ao Egito restou assinar um tratado de paz com Israel (1978/79), em troca da devolução da Península do Sinai, capturada e ocupada pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias e Yom Kippur.

A Síria nunca abandonou seus sonhos de gradeza voltando a ser a Grade Síria, o que inclui a retomada do Líbano e toda a Palestina. Ou seja, a existência de um Estado independente no Líbano, de Israel e mesmo a pretensão a um Estado Palestino vão de encontro aos interesses e ambições sírios. A derrota em ‘67 e ‘73 resultaram na perda das Colinas de Golan, que deveriam ter sido devolvidas numa manobra diplomática com Israel, similar àquela feita com o Egito, mas Damasco se recusa a oferecer trégua. Como Golan é de valor estratégico e militar inestimável (do alto de suas colinas vê-se as regiões baixas do vale de Hula e da Galiléia), Israel não pode devolvê-la sem sólidas garantias de segurança. Recentemente, Bashar al-Assad (presidente da Síria) mencionou a possibilidade de paz em troca da devolução das colinas.

Fracassadas as tentativas militares “convencionais” de destruir Israel e ganhar influência no mundo árabe, a Síria se voltou para o Líbano. Profundamente influenciado pelo ocidente, sobretudo pela cultura francesa (Beirute era conhecida como a Paris do Oriente), o Líbano era um oásis de convivência pacífica de uma miríade de religiões: cristãos gregos ortodoxos e sírios, católicos romanos, drusos e muçulmanos conviviam em certa estabilidade mantida por um relativamente complicado arranjo político de partilha do governo. O Líbano tornou-se um barril de pólvora, e para isto bastou a pressão síria e as levas de refugiados palestinos resultantes das guerras árabe-israelenses. Nos campos de refugiados no sul, organizou-se a OLP de Arafat, que havia fugido da Jordânia, onde Houssein se recusou a tolerá-lo.

No início da década de 80 o Líbano foi tragado para uma violenta guerra civil, onde lutavam inúmeras facções e influências diversas. Por fim, os sírios conseguiram o que precisavam: a retirada americana, que lhe cedeu espaço para intervir e ocupar o Líbano, sobre o qual exerce influência política e militar até hoje (vide a Segunda Guerra do Líbano). Até hoje o Líbano é instável, ameaçando sempre a estourar em violência.

Os palestinos passaram a ser usados como massa de manobra e motivo para os países árabes acusarem e denegrirem Israel. O curioso é que lhes seja negado quaisquer direitos ou auxílio nos países em que se encontram refugiados - curiosamente, palestinos vivem melhor em territórios ocupados por Israel do que em territórios árabes; a não ser, obviamente, dinheiro e armas para aterrorizar os israelenses.

O Iraque baath meteu-se em uma guerra sanguinária e inconclusiva com o Iran, onde pelo menos 700.000 iranianos e 500.000 iraquianos perderam a vida, fora os curdos. O que é estranhamente silenciado é o fato de que mais que Israel, a nação mais ameaçada pelo “Iran Nuclear” é o Iraque - que agora é o palco das disputas do mundo islâmico, onde a contagem dos mortos é de 600.000, no total.

Em meio a toda essa confusão e esquecidos pelo mundo, e sobretudo pela imprensa tão sensível à situação palestina, estão os curdos, que tiveram seu país, o Curdistão, retalhado entre Turquia, Síria, Iran e Iraque; e são sistematicamente perseguidos e mortos em cada um desses países (um dos motivos da Turquia não ser aceita na UE, é a situação dos curdos em seu território). Recentemente os maiores flagelos do mundo árabe são os próprios árabes em lutas internas: vide as rusgas entre Hamas e Fatah nos territórios ocupados na Palestina.

Devido a toda a dificuldade em manter conflitos convencionais entre Estados (o que criteriosamente não existe por ali), o uso de facções, organizações para-militares, milícias, grupos terroristas está na ordem do dia: Al-Qaeda, Hizbollah, Fatah, Hamas, Al-Aqsa, etc… Afora o que se passa na Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos, na África, e Paquistão (vide os massacres em Bangladesh), Afeganistão, Indonésia (vide as atrocidades cometidas em Timor Leste, por exemplo) e Chechênia.

Toda essa tragédia vai desmoralizando o mundo árabe e mesmo o Islam. E com certeza há gente que perde muito e não anda satisfeita. Um deles, quem sabe entre os principais, é o Rei Abdullah, da Arábia Saudita. Numa manobra muito oportunista, os Saud estão propondo um fórum de diálogo entre religiões monoteístas que anteciparia a possibilidade de (alguma) abertura religiosa em países muçulmanos. A prática de outros cultos e fé nesses países é praticamente nula, está banida - incluindo a própria Arábia, onde impera o wahhabismo, uma doutrina de interpretação “purista” do Islam (já falei sobre isso aqui)

Que significa isso? Que de repente uma nação árabe haverá de fazer uma revisão num dos pontos mais críticos de sua organização religiosa, política e cultural? Afinal, permitir outras religiões em território do Islam é permitir a existência de infiéis, de hereges em solo muçulmano - uma afronta ao profeta e aos mártires. Recentemente, Abdullah visitou o papa Bento XVI, um encontro histórico, e isso provocou ira e suspeitas. Quando questionados sobre a abertura religiosa, os membros do conselho saudita responderam que “somente se o Vaticano reconhecer Maomé como profeta, será possível haver igrejas na Arábia” (veja o comentário de Daniel Pipes aqui e aqui).

E o que me irrita, me irrita profundamente, é que representantes cristãos e judeus convocados pela iniciativa de Abdullah estejam “otimistas” quanto aos resultados do diálogo! Primeiro: não creio que haverá diálogo no sentido próprio do termo. Segundo: não acredito que os cristãos na Arábia (seis milhões) gozarão de plena cidadania (hoje, são cidadãos de segunda categoria). Terceiro: o restante do mundo árabe/muçulmano não se convencerá/seguirá o “exemplo” saudita. O mais provável é que uma onda anti-saudita de eleve no Oriente Médio, e os americanos percam seu mais valiosos aliado.

Como disse McCain (pré-candidato Republicano), aliados do ocidente entre os árabes são tiranos autocratas, sanguinários exploradores e concentradores da riquezas de seus países, que não representam sequer minimamente a opinião de seus “súditos” - não são confiáveis. O fato, me parece, é que se não há sequer respeito entre árabes, que dirá respeito da parte desses grupos para com os não árabes e não muçulmanos. Podem me chamar de louco, descompensado, ignorante e sem senso de realidade, mas minha opinião (seguindo Paul Johnson) é de que o Islam precisa de uma reforma, tal como sofreu o Cristianismo (séc. XVI) e o Judaísmo (séc. XVIII). É preciso que se transformem certas estruturas culturais que são “reféns” de certas doutrinas religiosas.

A iniciativa de saudita é, até aqui, para inglês ver. E francês escutar.

Para inglês ver

26 Março, 2008

Depois da Segunda Guerra Mundial, os britânicos sabiam (há muito tempo) que manter o império nos moldes então vigentes era impossível. Não seria mais viável manter governos e administrações coloniais, mas era vital manter a estabilidade no suprimento das necessidades da metrópole. A única solução possível era preparar a retirada fortalecendo e solidificando uma elite local convenientemente comprometida com os interesses externos.

No Oriente Médio isso era ainda mais necessário, por conta do suprimento virtualmente ilimitado de petróleo, e delicado dadas as características históricas, culturais e sociais do universo árabe. Depois do advento do Islam, da unificação das tribos da península arábica, iniciou-se a expansão muçulmana, fundamentalmente pelas armas. Em menos de mil anos, o Islam se estendia da península ibérica, passando por todo o norte da África, até a Ásia central (e mesmo o sudoeste, na Indonésia).

O projeto do Islam desde o início, é de unificação e, como o nome da doutrina indica, implica em submissão a Deus, ou seja, à doutrina de Deus tal como revelada ao profeta Maomé. As dificuldades que surgem daí são deduzíveis: quem lidera a unificação? Xiitas, descendentes do profeta, ou os Sunitas, os anciãos? Quem controla Meca e Medida, ou quem está em Bagdad? E há também uma sucessão de dinastias, Omíadas, Abássidas, etc., com diferentes características e posicionamentos quanto à tolerância e interpretação da tradição islâmica.

Contudo, o apogeu do Islam em termos de expansão, curiosamente, se dá sob uma liderança não árabe - os turcos otomanos. Grosso modo, os turcos são descendentes de povos da Ásia central que migraram para o oeste na esteira da invasão mongol, que posteriormente se converteram ao Islam (descendentes de Gengis Kahn formaram a Orda de Ouro). O Império Otomano permaneceu do século XIII ao XX, dominou países em três continentes e levou o terror à Europa - Viena foi sitiada duas vezes por tropas otomanas.

É interessante comparar as “lutas de estabilidade” no mundo islâmico, por um lado, que lhe permitiram a formação de impérios dignos do título de sucessores de Roma; e a persistente fragmentação da cristandade, do cisma entre ortodoxos e romanos até a Reforma Protestante, que limitou-lhe o tamanho e a duração dos impérios que formou (com exceção das Américas espanhola e portuguesa, quem sabe). A relativa constância do Islam está calcada na estabilidade da doutrina, enquanto o Ocidente cristão fervilhou em clivagens teológicas.

Da mesma maneira como o crescimento muçulmano coincide com as convulsões no mundo cristão, o declínio do crescente é concomitante ao desenvolvimento da modernidade ocidental e da “nova cosmonomia” protestante. A cristandade conseguir fazer da crise seu motor, da mudança sua norma; ao passo que as transformações tiraram a iniciativa civilizacional muçulmana, que nunca mais recuperou sua primazia cultural, tal como se viu em Bagdad, Constantinopla ou Córdoba.

Mas uma coisa permanece até hoje: o sentimento e a necessidade de unidade. Mas quem haverá de provê-la? Quando os britânicos se preparavam para deixar as colônias, se deram conta que o vazio que deixariam seria o espaço de violentos embates entre dinastias e nacionalidades pela liderança, primeiro do mundo árabe, segundo, do mundo muçulmano. Dentre os árabes, os ingleses tinham que lidar com uma série de importantes famílias: os Houssein, os Saudi e os Faiçal.

Para não correr o risco de ver a região tragada para um longo conflito tribal, a calejada diplomacia britânica mediou as negociações para a constituição de estados-nação, essa invenção européia semi-alienígena no contexto árabe, que não se adéqua bem, mas garante certo controle, ou o controle necessário para manter os interesses viáveis.

Aos Houssein coube a Jordânia. O grande problema, na verdade, se dava entre os Saud e os Faïçal (ou Faisal). Os ingleses preferiram legar a Arábia aos Saud, passando a se chamar Reino da Arábia Saudita; e aos Faïçal foi entregue a Síria, ou Reino da Grande Síria, e posteriormente o Iraque.

Os Faïçal eram bem mais próximos do Ocidente, e Emir Faïçal (rei da Síria e Iraque) manteve apoio, por exemplo, à constituição de uma nação judaica na Palestina, chegando a compor uma proposta com Chaim Weizmann (presidente da Organização Zionista Mundial, depois e Herzl, e posteriormente primeiro presidente do Estado de Israel), o plano Faïçal-Weizmann. Contudo, caíram em desgraça: a Síria e o Iraque foram tomadas por militares ligados ao partido de orientação socialista-árabe, o Baath (amiguinho do PT). Vale lembrar que eram membros do partido Baath o carniceiro Hafez al-Assad (que, entre outras coisas, ordenou o massacre de Hamá) e o criminoso Saddam Hussein, perseguidor implacável de xiitas e curdos, assim como seu camarada sírio.

Os Saud, por outro lado, são um exemplo de governo estável, regido sob mão de ferro e relativamente discreto (o que, fique claro, não considero uma virtude). Listados entre os mais ricos do mundo, os Saudi concentram quase toda a riqueza saudita gerada pelos petrodólares, enquanto o país é governado sob uma interpretação bastante severa e restritiva do Islam, o wahhabismo, que, grosso modo, prega o retorno às doutrinas e práticas islâmicas tal como eram definidas nos primórdios do Islam. Isso mantém certo controle interno, e é tolerado pelos países ocidentais, como os EUA, pelo compromisso da manutenção do suprimento seguro de petróleo.

De alguma maneira, a luta pela liderança do mundo árabe esteve entre essas famílias, as lideranças nacionalistas-facistas do Egito e os secularistas/socialistas baathistas da Síria e do Iraque. Posteriormente, com a Revolução Islâmica no Iran, surge um outro ponto de poder e influência, e, dessa vez, não-árabe (os iranianos são persas). Portanto, a luta se estende para além da liderança do mundo árabe, que deixa de apontar naturalmente a lideranças do Islam, pela entrada do Iran na disputa direta. Também é digno de nota que o maior país muçulmano em números absolutos de fiéis é a Indonésia (86% de uma população de 230.000.000, aproximadamente).

Nesse novo cenário, surgem novos atores, os radicais islâmicos do Taleban (Afeganistão, outro país não-árabe), e os militantes da Al-Qaeda, de Bin Laden, que é, curiosamente, saudita. A imagem do mundo árabe/islâmico vai sendo dominado pelo estereótipo do fundamentalismo e da tirania, e novamente os Saud se apresentam como a melhor opção de aliança para o mundo ocidental. Os sauditas não exitaram (?) em permitir que os americanos usassem o país como centro militar na guerra do Golfo I, ou no Golfo II, visto que resultaria na estabilização da área e no enfraquecimento ou eventual derrubada de Saddam.

Nesse instante, a Arábia Saudita nega relações ou qualquer apoio à Al-Qaeda, que é comandada por um (ex)nobre sauditas, e é de orientação profundamente sunita e anti-xiita - o que significa duros golpes contra os rivais iranianos. Contudo, o país é profundamente “ocidentalizado”, ou seja, herege, para os padrões de gente como Bin Laden, o que não deixa de ser preocupante.

Esse é o momento em que os Saud poderiam alavancar sua posição de opção de liderança a ser apoiada pelo ocidente, mas isso arruinaria sua imagem já desgastada junto mundo islâmico, o que seria um contra-senso. Contudo é possível testar a adesão de outros países da região a avanços que os sauditas fizerem, como o reconhecimento do Estado de Israel e a moderação em questões como tolerância religiosa em países islâmicos.

Os Saud são os guardiões das duas cidades, Medina e Meca. Mas até que ponto podem ser os guardiões do Islam? Parece que o método inglês se esgotou, e prova que as manobras de meio século atrás foram um paliativo, um breve adiamento do que é inevitável: a generalização de um conflito intra-muçulmano.

Uma forca para o Ocidente

28 Setembro, 2007

Anda em voga nos países pós-industriais do Ocidente a aplicação fundamentalista do método construtivista no ensino. O construtivismo parte, grosso modo, do pressuposto de que o indivíduo é fundamentalmente bom e que pode se auto-educar, construindo o conhecimento do mundo com o mínimo de mediação por parte de instrutores (pais, professores, enfim, o ambiente cultural que o cerca). Partindo daí, o que distorce a criança são os limites e restrições socio-culturais operados pelos mediadores, as figuras de autoridade. O construtivismo é, da raiz à ponta, moderno, iluminista, doutrinado no culto da razão humana como instância máxima e privilegiada para o conhecimento da realidade - tudo o mais categorizado como irracioanal é um obstáculo ao pleno desenvolvimento das faculdades da razão, e como tais devem ser demolidos: tradição, religião, costumes, ou seja, tudo o que não tenha um fundamento racional demonstrável.

A vertente norte-americana do construtivismo, largamente disseminada, tem uma forte influência dos chamados filósofos pragmatistas, como John Dewey e William James. Vandalizando o pragmatismo pela precariedade deste blog, direi que o pragmatismo tem duas bases fundamentais: visto que o programa moderno do conhecimento e domínio do mundo pela razão humana dera errado, (i) o conhecimento real e objetivo da realidade é impossíve, portanto, (ii) a verdade é consensual e pragmática - se socialmente funciona, cumpre o papel de consenso, é verdade. Vejam bem: verdade é igual ao maior consenso.

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Não me espanta o fato da República Islâmica do Iran, através de seu presidente, negue o Holocausto, pregue a aniquilação do Estado de Israel e financie grupos terroristas como o Hezbollah. Não me espanta também que mantenha um forte esquema de censura (incluindo o bloqueio ao conteúdo e monitoramento de usuários da internet no país), restrições de direitos de minorias (veja as condições a que são submetidos zoroastristas/maniqueístas e cristõas no Iran), e a completa indistinção entre “Mesquita” (”igreja”) e Estado (não tenho qualquer problema com a relação religião e política; mas a mistura de papéis institucionais e de funções é absolutamente prejudicial).

Não me espanta que um país bastante distante do palco de atrocidades que foi a Europa (e o Pacífico) na II Guerra tenha poucos tremores e temores ao caracterizar como falso o massacre sistemático de 6 milhões de judeus.

A propósito, negar a morte de 6 milhões de judeus pela máquina de morte nazista, é negar conjuntamente a morte de 20 milhões de russos, 10 milhões de cristãos, 2 mil clérigos católicos, outros tantos pastores protestantes, ciganos, Testemunhas de Jeová, gays, comunistas/socialistas/anarquistas, deficientes físicos e mentais e demais “indesejáveis”.

Mas num país em que a profissão de outra fé que não o Islam deve legalmente restringir-se à esfera doméstica e vetada à atividade proselitista, e que impede que os judeus-persas migrem para Israel, isso não é surpresa.

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Supreendente é o que acaba de acontecer, nesse ano de 2007, menos de 70 anos depois do fim da II Guerra: o governo inglês retirou do programa pedagógico escolar todas as referências ao Holocausto e às Cruzadas - o que significa que estes assuntos não serão mais obrigatoriamente contemplados pelo currículo escolar - devido ao receio dos educadores em ferir os sentimentos da comunidade islâmica do Reino Unido, que negam a existência do Holocausto. Sim, é isso mesmo. E isso não é o Iran. É na Inglaterra de Churchill, da RAF e da resistência implacável. Na Inglaterra das liberdade civis, que não precisa de constituição nem de registro e cidadãos; a Inglaterra em que um policial não pode revistar você sem um mandato judicial…

Professores, políticos, burocratas e demais maricas pós-modernóides de politicamente corretos temem que os conteúdos das disciplinas regulares entrem em choque com o que é ensinado nas mesquitas e provoquem a comunidade do Islam ao ódio e ressentimento. E não basta as provas incontestes do massacre industrial de judeus pelos nazistas, não basta as pesadas perdas e baixas entre os europeus, asiaticos, etc., não basta milhões de testemunhas desses fatos históricos… não, senhores, não basta. Porque a verdade, bom… a verdade é uma ficção coletiva, que se presta a manter um grupo unido. É uma questão de consenso… e querer opor os fatos históricos e memória de um povo nativo e presente aos mesmo ao de outro povo ausente noutras épocas é impossível: não há que se contrapor narrativas, visto que não há fatos enquanto verdade.

[Para saber mais, veja aqui e aqui.]

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O Reino Unido tem 60 milhões de habitantes. Há pelo menos 1,7 milhão de mulçumanos, e 1% (16 mil) destes se dizem dispostos a “cometer atos de violência com o fim de destruir a ‘licenciosa e decadente’ sociedade ocidental. Veja os dados sobre o “problema do Londonistão” em inglês e em português.

Há cerca de 250.000 judeus vivendo na Inglaterra, e a presença judaica emancipada na ilha conta 200 anos.

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Quem defenderá as sociedades abertas de seus inimigos?