Hebraico bíblico [clássico/antigo] no Ubuntu
29 Abril, 2008Quem estuda ou trabalha com línguas clássicas sabe como é um verdadeiro martírio conseguir inserir caracteres (e principalmente caracteres mais específicos) em editores de texto eletrônicos. Mesmo em soluções proprietárias (e existem algumas, mas nunca cheguei a usá-las de fato) são pouco práticas e difíceis de configurar - geralmente, o que se consegue é um editor dotado de um teclado virtual contendo os caracteres. Bom, isso até resolve quando se quer uma palavra ou uma frase, ou mesmo um trecho relativamente curto. Mas imagine digitar textos inteiros ou quando ao compor um trabalho é preciso inserir várias vezes palavras e frases, repetidamente… muito incômodo.
Para nos situarmos, hebraico clássico ou antigo não é como o hebraico moderno, apesar de guardarem muita proximidade (muito mais do que, por exemplo, grego antigo e grego moderno) - mas eu diria que o hebraico clássico é mais plástico, mais composto em nuances (obviamente - teríamos ao menos o arcaico, bíblico, bíblico tardio e talmúdico). Não é suficente ter um teclado hebraico ou configurá-lo para idioma hebraico (que seria o moderno), ou usar fontes clássicas (o teclado não permitiria usar os recursos da fonte).
A solução num mundo proprietário é comprar soluções caras - freqüentemente, proibitivamente caras para gente como eu; mas no universo open source a coisa pode, e é, muito diferente. A começar pelo fato de que, até o Ubuntu 7.10 (The Gutsy Gibbon), havia as opções de teclado hebraico lyx e phonetic, além do normal (se não me engano havia um extended), que conjugadas com fontes adequadas (na verdade, a coisa dá certo é com o lyx), davam conta do recado, oferecendo letras e caracteres especiais (notação vocálica, ou niqqudot). Eu mesmo consegui, pela primeira vez na vida usar com satisfação hebraico bíblico em meu editor de texto - OpenOffice.
Contudo, para minha surpresa, no Ubuntu 8.04 (The Hardy Heron), ao fazer a configuração das opções de teclado, nas disposições estava listada o Biblical Hebrew (Tiro). Olha, foi um daqueles momentos em que você pensa na beleza do software livre… alguém, um programador de muita consciência e discernimento, incluiu uma configuração específica de teclado, que por sua vez deve ter sido “compilado” por um programador não menos cônscio e discernente, e também generoso. O fato é que com essa disposição de teclado é possível digitar não somente notações vocálicas mas também notas de cantilação, ou te’amim! E o mais impressionante, em fontes não específicas, como sans sefif ou freesans…
Então vejamos como fazer. No Ubuntu (GNOME) vá em
Sistema » Preferências » teclado
Na caixa de diálogo clique em adicionar, e
Em Disposições selecione Israel;
Em Variantes selecione Biblical Hebrew (Tiro).
Pronto. Para ajudar na alternância entre os teclados, outra vez na caixa de diálogo (disposições), marque a opção Disposição separada para cada janela (assim a seleção de teclado no editor de texto pode ser diferente do browser, por exemplo).
Outra dica interessante é adicionar o botão de seleção de teclado na barra do GNOME:
Clique com o botão direito num ponto de qualquer uma das barras onde você quer incluir o botão (eu previro no canto inferior direito, ao lado das áreas de trabalho):
Adicionar ao painel » na caixa de diálogo selecione Indicador do Teclado.
Pronto, agora é só clicar em cima do botão que as disposições se alternam na ordem em que foram acrescentadas nas preferência do teclado.
Para mais ajuda, há um bom tutorial para hebraico e grego no Linux aqui.
Uma ótima fonte hebraica (com pontuação vocálica e contilação) está disponível no site da Society of Biblical Literature (recursos e fonte).
Ah!, você não usa Linux? Quer usar? Então comece aqui.