Posts Tagged ‘Ubuntu’

Notas de um usuário final [Eee!]

30 Abril, 2008

Ontem chegou meu Eee Pc. Uma maravilha, é o que posso dizer. Ao contrário do que parece pelas fotos na internet, a tela não é assim tão pequena, ou  não tão pequena que incomode; é suficiente eu diria. A tal da cor “branca”, na verdade, é meio perolada… gostei disso, afinal é um pouco menos trabalhoso. O que pesou na compra, como disse em outro post foi o preço: R$ 900,00 na Comprafacil.com. Sim, novecentos porque, me parece, quando você faz sua primeira compra, a loja dá um desconto generoso de 10%, ou seja, uma parcela no meu caso. Muito bom. E apesar do produto se esgotar toda semana, o pessoal foi rápido em enviar (um conselho: use o desconto da primeira compra, se você tiver, para comprar um bom pen drive - tem Kingston a bons preços).

O sub notebook é rápido, o boot é o mais veloz que eu já vi, e o Xandros é até competente, mas não dá: parece que você está preso num palm. Logo senti falta do GNOME e das funcionalidades do Ubuntu. Mas antes de falar disso, ressalto outras qualidades: o Eee é realmente discreto. Dentro do case preto que o acompanha, passou batido por alguns amigos quando eu disse que era uma agenda - é compacto, o que tira um pouco o efeito psicológico de leveza (eu disse psicológico e um pouco, afinal, 900 gramas são 0.9 Kilo… ¬¬). Outra característica que chama a atenção é o silêncio absoluto; tá certo que um processador de 900Mhz não exige um cooler escandaloso, mas ainda assim é um feito, eu acho.

De fato, o Xandros não dá. Pra mim não. Como disse acima, aquele layout de palm é muito inadequado, até parece que a Asus não se leva a sério… apesar de ser um sub notebook o Eee não é um handheld. Bom, quem sabe para alguns felizes compradores seja pouco mais que isso em termos de funções, mas eu penso em usá-lo para executar tarefas que também poderia fazer num desktop. Logo que pude foi atrás dos tutoriais para instalação do Ubuntu. Bom, aí foi uma pequena odisséia.

O melhor tutorial para instalação é o da comunidade, que ensina a maneira mais fácil de criar um pen drive bootável (meudeusdoceu, que palavra horrível). Entretanto, tem umas coisas nos tutoriais que me deixa irritado, entre elas, aquelas dúvidas que só um jacu poderia ter e que o compositor do passo-a-passo nem imagina… ou poderia eventualmente imaginar. Não estou culpando ou reclamando do pessoal dedicado que faz o melhor possível para servir a comunidade, só que isso às vezes causa desespero. Olhe bem, na criação de um flash drive capaz de boot, há a seguite instrução:

wget http://www.startx.ro/sugar/isotostick.sh
chmod u+x isotostick.sh
sudo ./isotostick.sh ubuntu-7.10-desktop-i386.iso  /dev/sdX1

É fácil e claro, e até eu que não entendo direito o que está se passando posso copiar e colar no terminal. Contudo simplesmente não funcionava! Sempre e repetidamente dava erros cada vez mais estranhos e indecifráveis, e eu tentei resolver das mais variadas formas, buscando solução no Google, e nada… Na madrugada, pelo Gtalk (via Pidgin), o André Noel me deu umas dicas, mas nada…

Fui dormir vencido. Pela manhã fiz outra tentativa, indicando apropriadamante o caminho (path) para o arquivo .iso, mas continuava dando erro (já havia tentado isso na noite anterior). Já sem saber o que fazer, achando que o problema era o pen drive, me passou uma coisa pela cabeça: e se for necessário que o arquivo .sh esteja no mesmo diretório que o arquivo .iso? Bingo! Quando fiz isso, deu certo. Impressionante:deu certo… Agora, não custava nada alguém ter dito que isso é uma condição para o comando… reconheço que isso pode estar dito na sintaxe, mas analfabeto que sou, precisaria da indicação.

Feito isso, espetei o Kingston no Eee, configurei o boot, e pronto. Lá estva Ubuntu 8.04 - The Hardy Heron inteiro e redondo. É verdade que é preciso fazer algumas configurações como indica suficientemente bem o tutorial. E o resto… o resto é história.

Hebraico bíblico [clássico/antigo] no Ubuntu

29 Abril, 2008

Quem estuda ou trabalha com línguas clássicas sabe como é um verdadeiro martírio conseguir inserir caracteres (e principalmente caracteres mais específicos) em editores de texto eletrônicos. Mesmo em soluções proprietárias (e existem algumas, mas nunca cheguei a usá-las de fato) são pouco práticas e difíceis de configurar - geralmente, o que se consegue é um editor dotado de um teclado virtual contendo os caracteres. Bom, isso até resolve quando se quer uma palavra ou uma frase, ou mesmo um trecho relativamente curto. Mas imagine digitar textos inteiros ou quando ao compor um trabalho é preciso inserir várias vezes palavras e frases, repetidamente… muito incômodo.

Para nos situarmos, hebraico clássico ou antigo não é como o hebraico moderno, apesar de guardarem muita proximidade (muito mais do que, por exemplo, grego antigo e grego moderno) - mas eu diria que o hebraico clássico é mais plástico, mais composto em nuances (obviamente - teríamos ao menos o arcaico, bíblico, bíblico tardio e talmúdico). Não é suficente ter um teclado hebraico ou configurá-lo para idioma hebraico (que seria o moderno), ou usar fontes clássicas (o teclado não permitiria usar os recursos da fonte).

A solução num mundo proprietário é comprar soluções caras - freqüentemente, proibitivamente caras para gente como eu; mas no universo open source a coisa pode, e é, muito diferente. A começar pelo fato de que, até o Ubuntu 7.10 (The Gutsy Gibbon), havia as opções de teclado hebraico lyx e phonetic, além do normal (se não me engano havia um extended), que conjugadas com fontes adequadas (na verdade, a coisa dá certo é com o lyx), davam conta do recado, oferecendo letras e caracteres especiais (notação vocálica, ou niqqudot). Eu mesmo consegui, pela primeira vez na vida usar com satisfação hebraico bíblico em meu editor de texto - OpenOffice.

Contudo, para minha surpresa, no Ubuntu 8.04 (The Hardy Heron), ao fazer a configuração das opções de teclado, nas disposições estava listada o Biblical Hebrew (Tiro). Olha, foi um daqueles momentos em que você pensa na beleza do software livre… alguém, um programador de muita consciência e discernimento, incluiu uma configuração específica de teclado, que por sua vez deve ter sido “compilado” por um programador não menos cônscio e discernente, e também generoso. O fato é que com essa disposição de teclado é possível digitar não somente notações vocálicas mas também notas de cantilação, ou te’amim! E o mais impressionante, em fontes não específicas, como sans sefif ou freesans…

Então vejamos como fazer. No Ubuntu (GNOME) vá em

Sistema » Preferências » teclado

Na caixa de diálogo clique em adicionar, e

Em Disposições selecione Israel;

Em Variantes selecione Biblical Hebrew (Tiro).

Pronto. Para ajudar na alternância entre os teclados, outra vez na caixa de diálogo (disposições), marque a opção Disposição separada para cada janela (assim a seleção de teclado no editor de texto pode ser diferente do browser, por exemplo).

Outra dica interessante é adicionar o botão de seleção de teclado na barra do GNOME:

Clique com o botão direito num ponto de qualquer uma das barras onde você quer incluir o botão (eu previro no canto inferior direito, ao lado das áreas de trabalho):

Adicionar ao painel » na caixa de diálogo selecione Indicador do Teclado.

Pronto, agora é só clicar em cima do botão que as disposições se alternam na ordem em que foram acrescentadas nas preferência do teclado.

Para mais ajuda, há um bom tutorial para hebraico e grego no Linux aqui.

Uma ótima fonte hebraica (com pontuação vocálica e contilação) está disponível no site da Society of Biblical Literature (recursos e fonte).

Ah!, você não usa Linux? Quer usar? Então comece aqui.